O tempo que não é físico, nem infinito, muito menos a óbvia sequência repetitiva de instantes. Trata-se de um tempo misterioso e oculto, o tempo da alma. Medido pelo rítmo do alvoroço íntimo, é capaz de olhar para trás em direção à lembrança e encontrar a memória, ocasionando a retomada do próprio ser pela imaginação. Imaginar, imagem solta no ar, à mercê da velocidade do sopro das emoções. Imaginar permite tanto, que permite tudo. Permite reter o passado sem limites, sem regras, em um mergulho espiral rumo ao profundo, onde flui a energia criativa da infância. Imaginar permite intuir o presente cotidiano e até aceitar sua passagem, para que não se torne eternidade. Permite também explorar o que ainda é sem substância, prevendo a nuance da esperada surpresa do futuro. Sim, é um lugar complexo toda essa natureza interior!
- Thanara Schonardie